CONEXÃO DA VIRADA

CONEXÃO DA VIRADA
2012 nas mãos de Deus!

27 de maio de 2010

Para pensar...


O CRISTÃO E A BEBIDA ALCOÓLICA


Introdução

Quando conversamos com algumas pessoas na igreja sobre a questão do consumo de bebida alcoólica, invariavelmente percebemos certas incertezas e desequilíbrios em relação a esse tema que a Bíblia trata com tanta clareza. Sabemos que essa deficiência é também fruto da falta de uma leitura atenta e submissa à Palavra de Deus.

Se por um lado testemunhamos o mal exemplo de muitos cristãos, vemos também um forte legalismo em outros.

O álcool tem chamado mais a atenção dos especialistas proque é, segundo os médicos, uma droga lícita, consumida aberta e livremente, e que pode ser encontrada em qualquer festa de criança, encontro de família etc., o que provoca um grande incentivo em jovens de todas as faixas etárias.


As pesquisas mostram que:

- Quem adquire o hábito de beber antes dos 15 anos tem 4 vezes mais chance de se tornar dependentes do que pessoas acima de 21 anos.

- O bom funcionamento do metabolismo do adolescente lhe dá maior tolerância a grandes quantidades de álcool no sangue.

- 25% dos jovens bebem exageradamente.


Mas o que a Bíblia nos ensina sobre a bebida alcoólica?



1. A moderação como virtude cristã


Moderação = “temperança”, “sobriedade” ou “comedimento”.

Não se trata de um princípio a ser aplicado apenas à bebida alcoólica, mas a tudo, por exemplo:

À comida – para não se cair em glutonaria.
À vestimenta – para não evidenciar intenções erradas.
Ao consumo – para não se cair no pecado do desperdício.
Ao lazer – para não se viver uma vida onde o prazer seja um ídolo.
Ao trabalho – para não fazer da carreira profissional um deus.


Filipenses 4.5 “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor”.

1 Timóteo 1.7 “Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio”.

Tito 1.7 “Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança”.


Moderação também tem a ver com o fruto do Espírito:

Gálatas 5.22-23 “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.

O temperante é alguém que não se entrega aos seus próprios impulsos, mas que consegue freá-los, vislumbrando os dois extremos e optando pelo equilíbrio, mediante a capacitação do Espírito Santo.



2. A bebida alcoólica numa perspectiva bíblica positiva


2.1. A naturalidade com que Jesus lidava com o vinho

O primeiro milagre realizado por Jesus foi o da multiplicação do vinho (João 2.1-11).

Jesus demonstrou naturalidade com o consumo dessa bebida ao usá-la no estabelecimento do sacramento da Santa Ceia (Mc 14.25; Lc 22.18).


2.2. O uso medicinal do vinho

O apóstolo Paulo recomenda que o pastor Timóteo consuma determinada medida de vinho para tratamento de seu estômago:

1 Timóteo 5.23 “Não continue a beber somente água; tome também um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas freqüentes enfermidades”.


2.3. O vinho como sinônimo de alegria e de prosperidade

Salmos 104.14-15 “É o SENHOR que faz crescer o pasto para o gado, e as plantas que o homem cultiva, para da terra tirar o alimento: 15 o vinho, que alegra o coração do homem; o azeite, que lhe faz brilhar o rosto, e o pão que sustenta o seu vigor”.

Provérbios 3.9-10 “Honre o SENHOR com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas plantações; 10 os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho”.

A teoria que alguns defendem de que o vinho naquele tempo não continha álcool é insustentável até mesmo diante de textos escriturísticos, que atribuem a causa da embriaguez ao consumo excessivo de vinho (p.ex. Noé em Gn 9.21).

Sabemos também que o que distingue o vinho do suco de uva é o processo de fermentação alcoólica. Considera-se, contudo, que o vinho naquele tempo tinha teor alcoólico inferior em até 80% aos que encontramos hoje no mercado, devido às evoluções tecnológicas do processo de fermentação, permitindo que as pessoas consumissem maior quantidade sem se embriagar.



3. Problemas apontados pelas Escrituras relativos à bebida alcoólica


3.1. Restrições ao consumo de bebida alcoólica pelos líderes espirituais

O consumo de vinho e de bebida forte foi vedado aos levitas antes de servirem no templo...

Levítico 10.8-9 “Depois o SENHOR disse a Arão: Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações”.

E aos nazireus...

Números 6.1-4 “O SENHOR disse ainda a Moisés: 2 Diga o seguinte aos israelitas: Se um homem ou uma mulher fizer um voto especial, um voto de separação para o SENHOR como nazireu, 3 terá que se abster de vinho e de outras bebidas fermentadas e não poderá beber vinagre feito de vinho ou de outra bebida fermentada. Não poderá beber suco de uva nem comer uvas nem passas. 4 Enquanto for nazireu, não poderá comer nada que venha da videira, nem mesmo as sementes ou as cascas".

Em ambos os casos se tratava de funções de referência espiritual para o povo, que são julgadas por critérios diferentes:

Tiago 3.1 “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor”.

Por isso Paulo recomenda que os presbíteros (= pastores no N.T.) e os diáconos não devem ser dados ao vinho (1 Tm 3.3,8).

Isaías profetizou contra sacerdotes e profetas que cambaleavam, erravam na visão e tropeçavam no juízo por causa da bebida forte (28.7).

Isaías 28.7-8 “E estes também cambaleiam pelo efeito do vinho, e não param em pé por causa da bebida fermentada. Os sacerdotes e os profetas cambaleiam por causa da bebida fermentada e estão desorientados devido ao vinho; eles não conseguem parar em pé por causa da bebida fermentada, confundem-se quando têm visões, tropeçam quando devem dar um veredicto. 8 Todas as mesas estão cobertas de vômito e não há um só lugar limpo”.


3.2. A embriaguez como causadora de pobreza

Provérbios 21.17 “Quem se entrega aos prazeres passará necessidade; quem se apega ao vinho e ao azeite jamais será rico”.


3.3. Prejuízos causados pela embriaguez ao bem estar psíquico e físico

Provérbios 23.29-30 “Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada”.


3.4 Prejuízos causados pela embriaguez ao discernimento espiritual

Oséias 4.10-11 “Eles comerão, mas não terão o suficiente; eles se prostituirão, mas não aumentarão a prole, porque abandonaram o SENHOR para se entregarem 11 à prostituição, ao vinho velho e ao novo, prejudicando o discernimento do meu povo".


3.5 Prejuízos causados pela embriaguez ao bem estar social

Provérbios 20.1 “O vinho é zombador e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles”.


3.6. A bebedeira como abertura para outros pecados

Efésios 5.18 “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito...”


3.7. A bebedeira como evidência de despreparo para o dia do juízo final

Lucas 21.34 “Tenham cuidado, para não sobrecarregar o coração de vocês de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente”.

Gálatas 5.19-21 “Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já vos adverti: aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus”.

ASSIM, FICA EVIDENTE QUE AS ESCRITURAS CONDENAM
EXPLICITAMENTE A EMBRIAGUEZ.




4. E quando há o consumo, mas não há embriaguez?


4.1. O fator cultural: a relação do brasileiro com a bebida alcoólica

Sabemos que o pecado escraviza as pessoas, transformando coisas lícitas em grilhões. Isto pode ser observado claramente em relação ao álcool, que tem feito de milhares de brasileiros seus súditos.

As propagandas de cerveja nos mostram como o consumo de álcool tem sido uma porta de entrada para um mundo de satisfação de toda sorte de desejos pecaminosos, através da sensação de “liberdade” causada pelo entorpecimento alcoólico.

Toda essa cultura maligna que o brasileiro criou em torno do álcool (os europeus, p.ex., não o vêem com o mesmo apelo) gerou na igreja brasileira repulsa pelo seu consumo, seja ele moderado ou não.

Como não somos ensinados a viver condicionados por percepções culturais preconceituosas e às vezes até irracionais, mas só pelas Escrituras, uma questão se faz relevante: onde elas ensinam que esse fator cultural deve ser levado em conta?


4.2. A nossa responsabilidade diante dos fracos

Sempre que os escandalizamos os nossos irmãos mais fracos na fé incorremos em erro diante de Deus, ou mesmo quando aparentamos o mal.

1 Coríntios 8.8-13 “A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. 9 Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. 10 Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem este conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? 11 Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. 12 Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. 13 Portanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar”.


4.3. A nossa dissociação do ébrio

1 Coríntios 5.11 “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for (...) beberrão (...); com esse tal, nem ainda comais”.

Jesus sentava em rodas de ímpios, mas orava 24h por dia, o que lhe dava condições espirituais para não ser influenciado. Pelo contrário, onde ele sentava havia conversões.


Conclusões

Com isto, concluímos dizendo que há pelo menos quatro regras básicas apresentadas pela Palavra de Deus em relação ao consumo de bebida alcoólica:

1ª O cristão não deve embriagar-se em hipótese alguma.

2ª O cristão não deve nem mesmo consumir moderadamente se isso for golpear a consciência de alguém, enfraquecendo-lhe a fé.

3ª Aqueles que não aceitam que o cristão beba em hipótese alguma não devem por isso agir preconceituosamente para com os que bebem – o que os levaria a incorrer em pecado ainda mais grave.

4ª O cristão que não sabe discernir o limite entre a sobriedade e a embriaguez, deixando de lado o domínio próprio toda vez que bebe o primeiro copo, e/ou que não se importa com o seu próprio exemplo público enquanto cristão não deve aproximar-se nem mesmo deste. Para esse, bebida alcoólica e pecado são sinônimos.